sábado, 29 de novembro de 2014

SANTIDADE, COISA DE OUTRO MUNDO?

O tema é no mínimo desconfortável. Quem nunca esteve em posição de se auto avaliar, e temer a essa análise do

ponto de vista da santidade, que imaginamos, que Deus espera de nós?

Esse desconforto e sofrimento se devem muitas vezes, a nossa construção equivocada sobre o que é santidade, qual a

necessidade dela em nossas vidas e o que julgamos ser um caminho de santidade para Deus.

Ficamos muitas vezes buscando um sinal, como de celular fora de área, tentando localizá-la no exterior de nós, por

meio de circunstâncias, de pessoas e tudo mais que testifique em nós que estamos no caminho da tal santificação.

Ao me lembrar dos primeiros anos pós conversão, que ocorreu em 2003, vem um sentimento de inadequação  por

ouvir sobre santidade e mesmo com muita sede de Deus, e diagnosticar que não era pra mim. Ah se a gente soubesse

quantas pessoas afastamos da igreja por conta dos elevadíssimos padrões que nossos falsos discursos, impõem a

quem se converte.

Ao mesmo tempo, quando me lembro, vem uma alegria de saber hoje tudo que sei e melhor ainda, de conviver com o

que ainda não sei, da perspectiva de que tudo tem seu tempo, graças a Deus.

O pecado que habita em nós

A morte de Nadabe e Abiú (Levítico 10:1-2)

Naquele mesmo dia, Nadabe e Abiú, filhos de Arão, pegaram cada um seu incensário, puseram brasas e incenso

neles e ofereceram fogo "estranho" ao Eterno - algo que o eterno não havia ordenado. Por isso, saiu fogo da presença

 do Eterno e os consumiu - eles morreram na presença dele.³

         Aquilo que entendemos por santidade, é muitas vezes nossa morte. Quantos de nós já não nós deixamos levar

por esse fogo estranho, para fins de manipulação do poder de Deus?  Ainda em Levítico, no capítulo 9, podemos ver

mais uma vez Deus dando as instruções para aproximação dEle com a humanidade decaída, cada detalhe foi passado

por Moisés a Arão e seus filhos e assim foi tudo preparado. Após os ritos de sacrifício, Deus se agradou de tudo e fez

descer fogo Santo e todos ficaram maravilhados.

      Esse relato de Levítico, parece algo tão distante da nossa realidade né? Mas não é não!

      Uma vida de santidade requer sim sacrifício, relacionamento com Deus! Mas como isso leva tempo, muitas vezes

procuramos um foguinho estranho de atalho.  A nossa imaturidade, assim como a de Nadabe e Abiú, nos torna

escravos dos sinais do poder de Deus de pessoas que tem PhD em fabricar falsa espiritualidade.

Caio Fábio em seu livro "o Caminho do Fogo" é categórico:

        Afinal o que estamos procurando? Que desejamos? Uma geração ardendo diante de Deus ou ver gente

incendiada por fogos artificiais de uma pirotecnia da qual Deus não faz parte? Isso é coisa séria porque este fogo

que provém de Deus e queimou Nadabe e Abiú é como um vômito divino. É Deus, nauseando quem diz: "Chega! Não

aguento mais esse negócio!"¹

      O fogo estranho faz um caminho sutil pelo coração do homem, que passa pela nossa presunção em sermos algo

que não somos, passa também pela pressa de chegarmos a algum lugar desejado e passa pelo engano. - Parece de

Deus, então como eu tenho pressa, que seja!

    A diferença entre a chama divina e o fogo estranho é a de que a  chama que vem de Deus está sob controle dEle,

ninguém  pode decretar, prever, planejar, fazer acontecer, o resultado é a manifestação da Glória de Deus.¹

Pecado, Culpa e Perdão

Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e,

em troca, darei um coração de carne. Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agir segundo os meus decretos

e a obedecer fielmente às minhas leis. (

Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; (

      O primeiro passo pra uma reconciliação com o Pai é o descortinar do pecado, isso me faz lembrar o primeiro

passo pra um viciado se tratar.  Ele faz todos os caminhos tortuosos pra sua degradação, pra destruição do seu

caráter, e vai fundo no poço e desce ainda mais, mas quando ele "de fato" busca ajuda, a primeira ação é afirmar até

que entenda que tem um vício.  Pior é que o tratamento não cura o vício, o tratamento é curar o olhar do dependente,

fazendo-o entender o "espinho na carne" que terá de conviver.

      Então não é do pecado que estamos falando? Sim, o vício é um pecado e o pecado é um vício! 

      Eu creio que todo aquele que teve um encontro de fato com Cristo, não tem paz no pecado, porém, o pecado

agrega diversos sentidos embutidos no ato de pecar, que pode nos cauterizar. Como por exemplo, nos afastar de

qualquer pessoa que possa nos confrontar, nos tornar cínicos, nos dar sentido de autosuficiência, o sentido de

autorealização, entre outros.

      Vale a pena reforçar, o que pra nós cristãos, é pecado, pois temos a tendência de tratar sempre a partir dos

prismas da sexualidade e do sexo. O pecado em sua essência é tudo aquilo que se interpõe entre nós, indivíduos e

Deus.  Em suma, são os nossos ídolos sonhados, conquistados e perdidos.

       Gastamos uma vida inteira com eles, parecemos ratos naquela "gaiola de rodinha"' engordando, emagrecendo,

experimentando, sendo experimentados e nunca chegamos ao alvo, quando os temos.  Perdemos completamente o

foco do que realmente precisamos para viver e assim, nos perdemos em nada com coisa alguma.

     

Triste sensação de: Que vida é essa? Tem algo fora de eixo? Quando vai chegar o prometido ou a restituição

do que se perdeu? Como diz uma certa música.

     O Pr. Ed Rene Kivitz em sua pregação de nome, "A soberania de Deus e a contingência do mundo", fala sobre

isso no trecho abaixo:

A tradição de intérpretes e historiadores bíblicos considera a possibilidade de que o livro do Eclesiastes tenha

sido escrito por Salomão, já em sua velhice. Na juventude, escreve o Cântico dos Cânticos, para exaltar o

amor romântico e o prazer conjugal. Na meia idade, ocupado em empreender e fazer a vida funcionar, escreve

os Provérbios, com sua ênfase em sabedoria pragmática. Mas no fim da vida, expressa toda a experiência de

um homem que se aplicou a buscar “saber o que valesse a pena, debaixo do céu, nos poucos dias da vida

humana” [2.3] e simplifica sua conclusão célebre expressão do Eclesiastes: Vaidade de vaidades, tudo é

vaidade!, ou então: Que grande inutilidade! Que grande inutilidade!, diz o Mestre. Nada faz sentido! Tudo sem

sentido! Sem sentido!, diz o mestre. Nada faz sentido! Nada faz sentido! [1.2; 12.8].²

     Para o pecado, reconhecimento que gera culpa.  Para a culpa, o perdão de Deus e o seu próprio. A mensagem da

Cruz deve ser efetiva na vida do crente e não apenas, um conto de fadas encantado que não se realiza em nós.

Aceitamos essas mentiras no coração e nos afastamos cada vez mais. Crer na Sua palavra é fundamental,

nisso vemos o poder de Deus e sua Graça.

    Somos os responsáveis diretos pelo nosso afastamento e reaproximação de Deus, precisamos nos conscientizar de

que embora diversas questões no empurrem para esse afastamento, é uma decisão tomada internamente e

individualmente.

 " Só quando a paz da graça nos embala, nos Nina e nos faz cafuné é que a alma pode começar a ser curada".¹

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem

obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de

Deus. Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz

perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança. E a esperança não nos

decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos

concedeu. (

Resumo final

     Quando terminei esse estudo, me veio essa música na cabeça e achei muito oportuno compartilhar com

vocês.

Isaías 53 - Diante do Trono

Não havia nele beleza ou formosura que nos agradasse

Era rejeitado o mais humilhado entre os homens

Homem de dores, sabe o que é padecer

Desprezado, dele não fizemos caso

Ele levou sobre si as nossas dores

Ele levou sobre si as nossas transgressões

E nós olhavámos para Ele, pensávamos que eram seus

Próprios pecados que O levavam ali

Mas foi por mim e por ti

Ele foi transpassado, moído pelas nossas iniqüidades

Oprimido e humilhado, não abriu a boca como cordeiro

Seu castigo nos traz paz, suas chagas a cura

Por suas pisaduras fomos sarados

Porque Ele levou sobre si as nossas dores

Ele levou sobre si as nossas transgressões

E nós olhavámos para Ele, pensávamos que eram seus

Próprios pecados que O levavam ali

Mas foi por mim e por ti

Quando derramou sua alma na morte

Fez oferta pelo pecado e Se alegrou

Porque Ele nos viu, somos fruto do Seu penoso trabalho

Somos Sua porção, Sua satisfação

Ele levou sobre si as nossas dores

Ele levou sobre si as nossas transgressões

E nós olhavámos para Ele, pensávamos que eram seus

Próprios pecados que O levavam ali

Mas foi por mim e por ti

Jesus

Link:  http://www.vagalume.com.br/diante-do-trono/isaias-53.html#ixzz3JqTyHRWk

Referencias:

¹. Caio Fábio, O Caminho do Fogo, pág. 26, 29, 63.

². Ed René, site: http://edrenekivitz.com/blog/2011/03/soberania-de-deus-contingencia-mundo/, trecho.

³. Bíblia online,  NVI.

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