domingo, 9 de novembro de 2014

Falta de resistência, entrega ao pecado e banalização do sagrado. Será que o evangelho é eficaz?

As relações estabelecidas pelos novos sujeitos pós-modernos, (A grande troca de bens imateriais – informação e serviços – além da imposição da mentalidade relativista são as principais características do período que vivemos atualmente, o pós-modernismo. Essa fase está diretamente ligada à globalização, já que o consumismo, utilizando-se dos meios de comunicação e da indústria da cultura, pretende inserir todas as culturas em um único mecanismo.) assim como eles mesmos, são rápidas e passageiras. Não existe mais a perspectiva de durabilidade e permanência, seja em nível familiar, amoroso, conjugal ou profissional. Assim também acontece como o relacionamento com Deus, buscado apenas para satisfazer necessidades imediatas e sensações seduzidas. Algumas novas propostas religiosas e mesmo as que se auto intitulam “igrejas” padecem dessa característica. Trata-se do reflexo de uma cultura apenas de sensações e direitos, e não de deveres e responsabilidades. Uma cultura light, onde a felicidade é alcançada quando se realizam todos os desejos, mas que não está ao alcance de todos, e sim daqueles que possuem os meios para alcançá-la, não importando quais sejam. Só o que é importante são as conquistas individuais. O todo não importa se o benefício não puder ser visto de forma rápida, precisa e imediata pelo indivíduo. A pós-modernidade é, pois uma crise generalizada com matizes os mais diversos. Caracteriza-se pela prevalência do pensamento fraco e por uma virada epistemológica devida ao desencanto da razão, que não mais consegue dizer o que é a realidade e nem mesmo oferecer fundamentos e princípios claros e indiscutíveis. Prevalece à contingência, o provisório, a descontinuidade. Surge uma nova sensibilidade que prefere o particular, a dispersão, a especialização e a fragmentação. Do ponto de vista psicológico, a pós-modernidade é caracterizada por uma perda de sentido, vivida como vazio existencial, que muitas vezes causa evasão para as drogas, para o consumismo e o hedonismo.( Hedonismo consiste em uma doutrina moral em que a busca pelo prazer é o único propósito da vida.)  Dentro deste panorama, a crise religiosa é inegável, mas ainda persiste a busca pelo transcendente e por princípios que conduzam a vida do ser humano. Ao mesmo tempo, essa busca convive com o desejo de satisfação pessoal, de forma imediata, para a solução de problemas, e nem sempre para uma verdadeira experiência e adesão aos fundamentos religiosos e pertença a uma instituição eclesiástica. A necessidade de ser acolhido e aceito leva o ser humano pós-moderno a buscar uma religião que atinja seus sentidos. Se na modernidade parecia que tudo apontava para um mundo sem Deus e sem perspectiva de religiosidade, na pós-modernidade ocorre uma volta ao transcendente. Há uma ânsia cada vez maior de experiências e de práticas religiosas. Uma busca incessante pelo Sagrado, sem que com isso se tenha que escutar autoridades ou teólogos. Trata-se da busca por algo que atinja o coração humano e que o faça sentir-se querido e amado. É nesse contexto que nascem e difundem-se novas experiências religiosas que geram movimentos, associações, grupos e diversas organizações. Nestes ambientes religiosos, pessoas irremissivelmente (irrecuperáveis) afastadas das instituições históricas sentem-se livres e abertas à experiência do Sagrado em meio à profunda fraternidade existente – algo que não é encontrado com facilidade nos demais espaços sociais. É possível notar, entre elas, a necessidade de se tornar, de alguma maneira, participante, tanto passiva quanto ativamente, reencontrando assim o fio do sentido da vida. O Deus buscado e encontrado por essa chave de compreensão se revela através da experiência e, sobretudo, através do sentimento de sua presença, de sua energia que circunda, plenifica e pacifica. É o divino que anima o movimento da vida através de ciclos da natureza. A natureza, aliás, faz parte do divino. Todo real  pode ser unificado em Deus. É através do sentimento que é possível entrar em comunhão com Ele – a razão não desempenha papel de muita importância no processo. Assim, surgem diversas denominações e espiritualidades para atender a tais desejos e necessidades que movem todos os seres humanos que experimentam uma constante busca. SERÁ O EVANGELHO EFICAZ? RESPOSTA Nos Profetas – devoção sincera. Isaías 1 Em Paulo – transformação, metanóia. Romanos 12 Em Jesus – querer, esforço, entrega. Lucas 9: 23
Baseado na obra: “O mistério e o mundo” de Maria Clara Bingemer ed. Rocco

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