domingo, 7 de dezembro de 2014

Dinheiro. Onde está o seu tesouro.


Ao pensar no tema a primeira coisa que me passou pela cabeça foi o filho pródigo. Que passava na cabeça desse jovem? O que o fez tomar a decisão de pedir sua parte em algo que nem existia? De fato herança só existe depois da morte de alguém, de certa forma ele já havia matado o pai.

Jesus continuou: "Um homem tinha dois filhos.
O mais novo disse ao seu pai: ‘Pai, quero a minha parte da herança’. Assim, ele repartiu sua propriedade entre eles.
"Não muito tempo depois, o filho mais novo reuniu tudo o que tinha, e foi para uma região distante; e lá desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente.
Lucas 15:11-13

Essa narrativa traz os temas da perda e da redenção, e claro arrependimento. Mas quero focar na intenção do coração, o filho estava tão seduzido pelas riquezas que nada mais importava, só importava a aquisição das riquezas, de tal forma que não podia mais esperar. Fica claro que já havia sido embriagado pelas possibilidades que seu tesouro abriria.

Nos textos abaixo, Jesus fala dessa relação doentia com o Dinheiro.
"Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam.
Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam.
Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.
"Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz.
Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!
"Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro
(Mamon)".
Mateus 6:19-24


"Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará ao outro, ou se dedicará a um e desprezará ao outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro (Mamon)".
Lucas 16:13


Jesus faz uma relação direta entre tesouro e coração. Uma relação indissolúvel, portanto aquilo que valorizamos é disso que nosso coração está cheio. Isso não quer só dizer dinheiro e riquezas, como também objetivos e planos, e inclusive pessoas, tudo que de alguma forma damos proeminência em nossa vida.


"Quando a gente gosta é claro que a gente cuida"! Como disse Caetano Veloso, mas o tema, na verdade é, aquilo que amamos, de fato, é o melhor para nossa vida? Essa é a pergunta a responder.

Se há uma relação direta entre tesouro e coração, o mesmo não pode ser dito de Deus e o Dinheiro (Mamon), fica evidente nas palavras de Jesus no mínimo uma incongruência entre Deus e o Dinheiro. Não estou falando de voto de pobreza, nem de andar todo rasgado, muito menos se tornar franciscano, estamos falando daquilo QUE DE ALGUMA FORMA DAMOS PROEMINÊNCIA EM NOSSA VIDA.

Mamon originalmente não era uma divindade, como descrito na Wikipédia: é um termo, derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes, mas nem sempre, personificado como uma divindade. A própria palavra é uma transliteração da palavra hebraica "Mamon" (מָמוֹן), que significa literalmente "dinheiro".

No entanto acabou por ser o cerne da vida humana, acima de família, saúde, e claro de Deus. E aí está o problema, deixamos tudo pela busca do dinheiro, numa epopeia louca em busca de uma vida melhor e um suposto bem estar. Estamos sempre voltados para um futuro que almejamos, mas que acaba sendo tão limitado. Limitado por que acabamos sempre fazendo planos que excluem a eternidade, que é o fim maior de nossas vidas como cristãos.
Nos envolvemos no sistema que rege nosso planeta, e não nos damos conta que nos tornamos como robôs, numa grande linha de montagem. Vivemos num mundo capitalista, onde o que importa é o capital, ou seja, o dinheiro. Tudo deve girar em torno dele, todo o resto é secundário, como disse uma ministra da economia anos atrás “ O povo é um detalhe”.

Quando o dinheiro se torna o centro de nossa sociedade, ele se torna uma Divindade, e nossa sociedade que se acha tão dissociada da religião se torna a mais religiosa de todas, sem nem mesmo notar.




“o capitalismo é, realmente, uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro. Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro.”
Afirma Giorgio Agamben, citando Walter Benjamin, em entrevista concedida a Peppe Salvà e publicada por Ragusa News, 16-08-2012.

Giorgio Agamben é um dos maiores filósofos vivos. Foi definido pelo Times e por Le Monde como uma das dez mais importantes cabeças pensantes do mundo.

Artigos do filósofo:

Se tomarmos essa afirmação como uma possível verdade, de que o capitalismo é uma religião, até que ponto estamos envoltos nessa religião? Não estou defendendo seu ponto de vista, apenas fazendo uma conjectura, se isso for verdadeiro estaremos servindo a 2 senhores.

Na verdade o grande tesouro ignorado pelos seres humanos é...

"Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.
Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus.
Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más.
Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam manifestas.
Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se veja claramente que as suas obras são realizadas por intermédio de Deus".
João 3:16-21


Nesse segundo artigo ele diz: Sem fé ou confiança, não é possível o futuro. Só há futuro se pudermos esperar ou crer em alguma coisa. Nosso futuro é a vida eterna, dada a quem crê no filho de Deus.